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sexta-feira

A genética é implacável! Osteogênese imperfeita no Terrier brasileiro.


Há 30 dias nasceu na minha casa a ninhada que eu acreditava ser a minha ninhada mais promissora, filha da minha Mult Ch Lupa QE do Alvorada DF e o Bibo do Terra de Vera Cruz neto de dois campeões mundiais, Pinguim do Taboao e Pipo II do Terra de Vera Cruz, a ninhada que sonhei e fiz planos, a ninhada que eu e muitos outros criadores imaginavam ser a melhor que eu poderia fazer.
Há 21 dias eu estava postando fotos deles e maravilhada com os meus filhotes, lindos e começando a andar, umas bolas gordinhas e fofas. Uns focinhos muito curtos e dobradinhos que eu achava lindo. Com 23 dias me deparei com um filhote mamando com pé dobrado. Peguei nele, e o pé era tortinho, parecia quebrado ao meio, fiquei triste, e depois olhei os outros e descobri outro com pé torto. Nessa hora já começava a me desesperar com o possível problema de má formação ou que a Lupa pudesse ter pisado neles e quebrado aquelas patinhas. No dia seguinte comecei a pesquisar e me lembrei da osteogêneses imperfeita (MPS) , mesmo quase descartando aquilo resolvi ler um pouco e então aquele focinho super curto com os olhos um pouco mais separados que o normal com stop muito bem marcado não eram mais tão lindos assim, os dois filhotes com perninha mole tinham a cara do filhote afetado pela doença que aparece nesse vídeo:
Mas é lógico que eu não queria acreditar naquilo e coloquei isso como ultima opção, com toda minha certeza de que eram apenas patinhas quebradas. Na segunda feira a tarde liguei para o melhor radiologista de cães de Niterói, com seu aparelho móvel digital importado, e ele podia vir na minha casa para eu não tirar os filhotes de perto da mãe. Na segunda-feira mesmo fizemos os raio x e ele simplesmente paralisado em frente a tela me disse: ”Thayana esses filhotes não tem nenhuma epífise no corpo.” A epífise é como um ossinho de ligamento entre um osso e outro. Inclusive o osso que faz a ligação entre as vértebras da coluna dos cães . Nessa hora eu entrei em choque pois a falta ou atrofiamento das epífises era exatamente o que eu tinha lido sobre a MPS na noite anterior, assim os filhotes em breve não andariam pois hoje com 25 dias eles andam tortos mas andam, porém a medida que vão crescendo os poucos ossos que eles tem, não vão mais sustentar o peso do corpinho deles, e eles se arrastarão sem conseguir andar e sofrerão com isso.
Sendo assim a falta das epífises é mais que suficiente para diagnosticar um filhote com a doença genética. Eu tenho plena certeza de que não sou a primeira e nem serei a ultima a passar por isso, sei que existem pessoas que realmente falam a verdade e que realmente nunca tiveram casos da doença mas também existem aqueles que mesmo já tendo problemas fazem questão de dizer ”eu nunca tive isso no meu canil ”. É muito mais fácil a gente correr do problema, escondê-lo ou simplesmente não tentar desvenda-lo por medo de descobrir o que é. Também é normal do ser humano a negação e não acredito que aquilo pode acontecer realmente. Mas eu Thayana prefiro vir aqui e dar a cara a tapa e mostrar que essa maldita doença genética onde o pai e a mãe OBRIGATORIAMENTE precisam ser portares da doença para gerar um filhote doente, existe e está presente entre os nossos cães.
A ninhada da Lupa são 5 filhotes onde 2 são afetados e 3 são normais. Esses 3 normais eles podem ser completamente livres da doença ou podem ser apenas portadores. Esses 3 filhotes normais pretendo levar o sangue para Finlândia (único lugar que faz exame para doença de uma raça BRASILEIRA) para examina-los assim como o João Batista (criador da Lupa) faz questão de que a Lupa seja testada e caso eles sejam portadores serão castrados e se forem livres podem seguir para criação pois se depender deles NUNCA passarão a doença. Sendo assim também pretendo testar todos os meus outros cães porque jamais quero passar por isso de novo e fazer algum filhote indefeso passar. Vim aqui contar isso a todos pois me sinto obrigada a dividir com vocês para o bem da nossa raça, para que nos a partir de hoje passemos a ser mais responsáveis quando se trata de um cruzamento e não apenas fazer por fazer. Eu pretendo correr atrás de algum laboratório ou faculdade que possa desenvolver o teste para a doença no Brasil, pois realmente mandar o sangue para fora não é barato. Precisamos selecionar saúde antes de beleza, não vamos querer para o nosso brasileirinho tenha o mesmo destino dos Bulldogs Ingleses. Pois sempre defendemos a raça como rústica, já temos vários cães com problemas de pele, cães com luxação de patela, cães com displasia e agora com MPS. Onde vamos parar?

E você ai, pensando que criar cães era a coisa mais fácil do mundo né?


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